Notícias

Percevejo marrom (Euschistus heros) em vagem de soja. Credito: Jovenil Silva

Percevejo marrom (Euschistus heros) em vagem de soja. Credito: Jovenil Silva

A primeira cultivar de soja com tolerância ao ataque de percevejos foi registrada pela Embrapa e estará disponível no mercado nas próximas safras. A nova cultivar, desenvolvida via melhoramento genético tradicional, tem elevado potencial produtivo e suporta o dobro do ataque de percevejos, sem reduzir o rendimento. O pesquisador Carlos Arrabal Arias, líder do programa de melhoramento genético de soja da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e responsável pelo desenvolvimento de genótipos resistentes a insetos, irá apresentar, no dia 12 de junho, as metodologias que vem utilizando para desenvolver cultivares mais resistentes a insetos sugadores, durante o VIII Congresso Brasileiro de Soja, que será realizado de 11 a 14 de junho, no Centro de Convenções de Goiânia.

No painel, ao lado de Arias, a professora da Universidade Federal de Viçosa, Nathaly Lara Castellanos irá palestrar sobre as novas ferramentas biotecnológicas para o manejo de insetos sugadores. Também haverá palestra sobre a contribuição de semioquímicos para o manejo sustentável de pragas da soja, que será ministrada pelo pesquisador Raul Alberto Laumann, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

pesquisando soja percevejo marrom

Experimento com gaiolas de soja tolerante a percevejos.
Credito: Lebna Landgraf

Os percevejos são atualmente uma das pragas mais importantes para a cultura da soja, porque interferem na produtividade e na qualidade dos grãos e das sementes. De acordo com Arias, o dano é potencializado pela ocorrência de elevadas populações, especialmente o percevejo-marrom (Euschistus heros), e pela resistência desta praga a alguns inseticidas. “Vamos apresentar quais os métodos que usamos para introduzir características de resistência ou tolerância a insetos nas cultivares de soja para facilitar o manejo das pragas no campo”, afirma Arias. “A resistência genética é o método mais econômico para o manejo de pragas e doenças”, destaca.

Pesquisa na Embrapa - A busca por cultivares de soja com maior tolerância ao ataque de insetos sugadores foi intensificada, desde 2016, quando foram avaliadas no campo experimental, da Embrapa, em Londrina (PR), 30 linhagens convencionais e 20 com a tecnologia RR e Intacta. O trabalho de pesquisa envolve especialmente as equipes que atuam com melhoramento genético e entomologia. Os resultados mostraram que as plantas apresentaram alta produtividade, mesmo quando atacadas por percevejos.

Arias relata que, enquanto o nível de ação definido pela pesquisa atualmente é de dois percevejos por pano de batida, a nova cultivar consegue suportar, pelo menos, o dobro de percevejos, sem afetar a sua produtividade. “Algumas plantas, mesmo na presença de alta população de percevejos, mantiveram a produtividade alta, enquanto que as cultivares suscetíveis ao ataque de percevejos apresentaram perdas importantes”, revela.

campo de soja percevejo marrom

Soja com tolerância a percevejo. Credito: Clara Beatriz.

Na Embrapa, as melhores plantas oriundas de cruzamentos genéticos específicos para resistência percevejos, foram testadas em gaiolas fechadas, instaladas no campo experimental. Nessa condição, o objetivo foi avaliar o dano causado por densidades de 0, 4, 8, 16 percevejos por metro quadrado; “esses ensaios também comprovaram os resultados obtidos anteriormente”, diz a pesquisadora Clara Beatriz Hoffmann Campo. “A vantagem dessa tolerância é que o produtor pode aguardar mais tempo para entrar com inseticidas, o que além de reduzir custos ainda mantém a presença dos agentes de controle biológico no campo, favorecendo o controle natural da praga, pela integração de táticas do Manejo Integrado de Pragas”, explica a pesquisadora.

Percevejo marrom - O principal problema dos percevejos é o seu ataque direto ao grão e às vagens da soja, diferentemente das lagartas, por exemplo, que atacam as folhas. “O percevejo causa danos direto no grão que o agricultor colhe. Por isso, existe potencial de perda em produtividade e também em qualidade de produtos que serão gerados como o óleo e a ração animal”, explica o pesquisador Samuel Roggia, da Embrapa Soja. No caso dos produtores de semente, o problema é ainda maior, porque o ataque de percevejos afeta o vigor da semente, o que impactará no estabelecimento adequado da futura lavoura.

Em particular, o percevejo-marrom (Euschistus heros) tem seu controle feito basicamente com produtos químicos e há vários casos de população que apresentam elevada tolerância a alguns inseticidas. “São populações em que os inseticidas não conseguem controlar tão bem”, diz Roggia. Além disso, comparativamente com outras pragas, o percevejo-marrom ainda não tem disponíveis outras ferramentas como a biotecnologia e o controle biológico aplicado.

Uma vez que estes percevejos tornam-se resistentes a produtos químicos, o produtor entra em cenário de alto risco de perda de controle da praga. “Por isso, a importância de termos cultivares tolerantes a esta praga. É uma ferramenta para ser inserida no manejo integrado dessa praga, reduzindo o risco que apresenta para a cultura. Esta ferramenta pode ser integrada a outras táticas que já existem como o controle químico.

 

Assessoria de Imprensa do Congresso Brasileiro de Soja (CBSoja)
Jornalistas: Carina Rufino, Lebna Landgraf e Gabriel Rezende Faria
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. / www.cbsoja.com.br

embrapa soja ministerio da agricultura

Criação de sites e lojas virtuais